Nostalgia alimentar: as poderosas memórias gustativas

Esfirra de queijo do Árabe. Quando perguntada sobre uma memória que envolva comida para estudante de jornalismo Clara Casé, ela conta que esse quitute a faz lembrar da infância. O salgado sírio-libanês ainda se tornou mais especial quando o namorado, sem saber, a levou no restaurante da zona sul carioca, durante o primeiro encontro.  
Pois bem! Sabe a sensação de reviver um momento passado ao comer algum alimento específico? Ela tem nome e sobrenome: “Memória Gustativa”. Essa emoção nostálgica é a mais intensa experimentada pelo corpo humano. Isso porque, de acordo com uma pesquisa divulgada pela Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, as memórias que abarcam alimentos envolvem os cinco sentidos.  

Esfirra de queijo do restaurante Árabe, no Largo do Machado, faz parte das memórias gustativas de Clara Casé

        A psicóloga e Master Coach Luana Oliveira explica que essas memórias são mais comuns do parece, já que todo ser humanos é capaz de desenvolvê-las. Ainda segundo Luana, algumas pessoas podem desenvolver mais memórias em relação a outras. 

          "Isso varia de acordo com o perfil comportamental de personalidade. Alguns podem desenvolver mais essa característica e então as memórias se tornam mais frequente a recordação".

             Importantes na construção de relações, determinados sabores podem permanecer na memória mesmo quando os hábitos alimentares mudam radicalmente. É o caso do estudante de biologia Matheus Ré Moutinho, de 20 anos. Apesar de ter eliminado alimentos de origem animal do cardápio há um ano e sete meses, a lembrança do bolo de limão da avó ainda toca o coração e o paladar dele. 

          “Não como o bolo da minha avó há uns 5 anos, mas se eu fechar os olhos agora consigo imaginar o gosto. Linguiça, pão de queijo, empadão de frango. Só de falar dói! Além disso, se eu sentir o cheiro, sinto o gosto na hora.”

         A psicóloga explica que o não esquecimento dessas lembranças se deve ao fato delas estarem ligadas a memória como um todo, mas principalmente por estarem vinculadas a um sentimento. Ainda segundo Luana, a memória gustativa está relacionada a circunstância que essa lembrança se deu, logo ganha significado e importância. 

        “Conforme dormimos, tudo o que vivemos no dia passa da memória temporal para a permanente. Esse processo se solidifica nas conexões dos neurônios. Então por mais que o tempo passe, a tendência é lembrarmos do fato passado”. 

       Luana também afirma que as memórias de infância são as que mais ficam e que, portanto, vamos carregando ao longo da vida. É o caso da chef Laura Aguiar, do Espaço Nutrir de Campos dos Goytacazes. Nostálgica, ela lembra da macarronada com farofa da avó.

      “Prato clássico de todos os domingos da minha infância. Sempre que ela faz esse macarrão (não é "massa", é macarrão mesmo, por que é de vó!) eu revivo um domingo desses: meus primos brigando pela coxa do frango, meus tios todos falando alto e ao mesmo tempo, todas as crianças no chão da sala, assistindo A Turma do Didi”.

Prato preparado pela Chef Laura Aguiar: tilápia com azeite de coentro, mousseline de mandioquinha
e salada de rúcula com amêndoas
        Para chef Laura, gastrônoma pela Universidade Vila Velha, as memórias gustativas são construídas de forma simples e espontânea. Ela também afirma que como profissional culinarista se sente realizada quando consegue trazer uma lembrança dessas à tona.

“Tenho algumas histórias, porém a mais especial foi quando fiz um doce de leite com coco para um ex-professor da escola. Quando ele deu a primeira colherada, seus olhos ficaram cheios d'água e ele me disse que estava igual ao que a mãe dele fazia para ele quando era criança e que, há muitos anos ele não comia nada assim. Foi incrível, fico muito mais feliz trazendo uma memória dessas à tona do que criando uma.”
Como de costume... #HoraDaReceita

Comentários

  1. Adorei a matéria! Vou experimentar fazer o prato para meus amigos sírios que estão há quase um ano longe de casa...

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  2. AMEI, cada dia me apaixono mais por esse blog

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  3. Adorava comer esfirras quando ia visitar meus avós, há muitos anos que já não posso degustar da mesma esfirra mas o gosto continua gravado em minha memória

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  4. Surpreende a forma com que uma comida pode eternizar um momento!

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  5. Texto maravilhoso,sempre que eu como peixe eu lembro da minha vó que mora longe

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  6. Gostei muito da postagem, vou experimentar fazer pro meu namorado (de família árabe) espero conseguir conquistar meu habib pelo estômago ����

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  7. Nossa, minha mãe faz uma macarronada de outro mundo. Nunca vi ninguém conseguir fazer igual a dela, o gosto ta tão gravado na mimha memória que sei diferenciar na hora quando foi ela quem fez hahaha

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  8. Lembrei do bolinho de chuva que minha tia faz, só de lembrar minha boca já enche d'água

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  9. Muito interessante! Já oubi dizer que o cheiro também fica gravado em nossa memória. Cheiro do amaciante preferido, do perfume de alguém que gosta, da comida... natural gravarmos o gosto também. Show de bola, nota 10!

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  10. GOSTEI MUITO DO TEXTO,MUITO LEGAL

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  11. Que matéria sensacional! A relação feita na matéria sobre memórias gustativas e as lembranças familiares trouxeram aquela sensação nostálgica (só que boa rs)! Amei!!!!

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  12. Que matéria sensacional! A relação feita na matéria sobre memórias gustativas e as lembranças familiares trouxeram aquela sensação nostálgica (só que boa rs)! Amei!!!!

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  13. Muito bom poder ler e descobrir que “Memória Gustativa” sempre tive. Texto muito bom saudades do tempos e dos pratos que comia na roça que morei .

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  14. Ameiii !!! Você arrasou como sempre ❤

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  15. Fascinante, a forma expressada na matéria nos deixa em uma enorme satisfação só de ler. Está de parabéns!

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  16. Eu amo esfirra vou tentar fazer ����.tomara que dê certo ��

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  17. Matéria incrível! Está de parabéns, eu amei!

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  18. O paladar e o alfato dois sentidos importante que além de gostoso pode se relembrar uma história.

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